Cinema

7 fatos que provam que o Expressionismo alemão revolucionou o cinema de sua época

Você pode aproveitar para assistir 5 clássicos desse movimento que são reverenciados até hoje

Por Gabriel Magno - julho 16, 2019
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O Expressionismo alemão é um movimento cultural difícil de definir. Ele não se distingue por um estilo singular ou método de criação, mas é melhor descrito tanto pela mentalidade do artista que cria o trabalho quanto pela geração em que ele viveu. Esta matéria vai se dedicar especialmente ao cinema deste momento, mas antes é importante entender um pouco sobre o contexto histórico em que ele se desenvolveu.

Os expressionistas alemães eram artistas, escritores e pensadores da Alemanha de antes da Segunda Guerra Mundial e viveram durante o reinado de Guilherme II. O Expressionismo alemão é resultado da reação da geração mais jovem contra a cultura burguesa da Alemanha durante este período.

Apesar de geralmente ser considerado um movimento pré-Segunda Guerra Mundial, ele voltou à moda em alguns círculos após o fim dela. O movimento era mais do que um gênero cinematográfico, era uma mentalidade que tinha aspectos sociais, culturais e políticos. O Expressionismo alemão pode ser entendido como um meio de abordar a vida e, em especial, mudar a realidade. Vários expressionistas compartilhavam da crença de que a literatura era capaz de efetuar mudanças profundas na sociedade.

O Expressionismo alemão no cinema

Muito cultuado nos meios artísticos até hoje, o cinema alemão desse período se caracterizava por seu baixo custo, já que a Alemanha havia perdido a primeira guerra e passava por uma crise financeira que abalou moralmente seu povo com aumentos na criminalidade, alcoolismo e prostituição. Além disso foi marcado por maquiagens e cenários distorcidos que retratavam criticamente a sociedade. Os filmes mais famosos deste estilo são Nosferatu, Metrópolis, O Gabinete do Doutor Caligari e M. o Vampiro de Dusseldorf.

1. Características do cinema alemão

Elementos fortes do monumentalismo e do modernismo aparecem em todo o cânone do Expressionismo alemão. Um excelente exemplo disso é Metrópolis, como evidenciado pela enorme usina de energia e vislumbres da cidade superior maciça, mas intocada. Sua história se trata de um homem poderoso que usa a tecnologia industrial para criar uma mulher androide que fosse parecida com sua falecida esposa.

Os pintores expressionistas alemães rejeitavam a representação naturalista da realidade objetiva, muitas vezes retratando figuras distorcidas, construções e paisagens de uma maneira desorientadora que desconsiderava as convenções de perspectiva e proporção. Essa abordagem, combinada com formas estilizadas irregulares e cores duras e antinaturais, era usada para transmitir emoções subjetivas.

Vários artistas e artesãos que trabalhavam no teatro de Berlim trouxeram o estilo visual expressionista ao design de cenários. Isto, por sua vez, teve uma eventual influência em filmes que lidam com fantasia e terror.

Este movimento cinematográfico foi paralelo à pintura expressionista e ao teatro ao rejeitar o realismo. Os criadores do Período de Weimar procuraram transmitir a experiência interior e subjetiva através de meios externos e objetivos. Seus filmes foram caracterizados por conjuntos e atuação altamente estilizados, eles usaram um novo estilo visual que incorporava alto contraste e edição simples.

Os filmes foram filmados em estúdios onde eles podiam empregar iluminação e ângulos de câmera deliberadamente exagerados e dramáticos para enfatizar algum efeito particular como o medo, o horror, e a dor. Aspectos das técnicas expressionistas foram posteriormente adaptados por diretores como Alfred Hitchcock e Orson Welles e incorporados em muitos filmes de terror e gângsteres americanos.

Os filmes expressionistas alemães produzidos na República de Weimar, imediatamente após a Primeira Guerra Mundial, não apenas abarcam os contextos sociopolíticos em que foram criados, mas também trabalham os problemas intrinsecamente modernos de auto-reflexividade, espetáculo e identidade.

2. O Gabinete do Dr. Caligari

O principal exemplo é o filme onírico de Robert Wiene, O Gabinete do Dr. Caligari (1920), que é universalmente reconhecido como um dos primeiros clássicos do cinema expressionista. Hermann Warm, o diretor de arte do filme, trabalhou com os pintores e cenógrafos Walter Reimann e Walter Röhrig para criar cenários fantásticos e apavorantes com estruturas retorcidas e paisagens com formas pontiagudas e linhas oblíquas e curvas. Alguns desses projetos foram construções, outros foram pintados diretamente em telas.

Basicamente o filme retrata a história de um hipnotizador que usava sua técnica para manipular pessoas a fim de cometessem crimes em seu lugar. Trás uma carga emocional trágica e perturbadora que até hoje assusta espectadores pelo mundo.

3. M. o Vampiro de Dusseldorf

O filme representa um acontecimento que agita a localidade de Dusseldorf quando um pedófilo começa a sequestrar e matar crianças sem nunca ser capturado. O criminoso confessa seus atos de forma a aliviar a culpa em cartas anônimas aos jornais em que implora para que seja preso pois era incapaz de controlar sua doença.

4. Visão dos críticos

Muitos críticos vêem uma ligação direta entre o cinema e a arquitetura da época, afirmando que os cenários e obras de arte dos filmes expressionistas frequentemente revelam prédios de ângulos agudos, grandes alturas e ambientes lotados, como a frequentemente vista da Torre de Babel em Metrópolis do diretor Fritz Lang.

Seguindo as estimadas críticas de Siegfried Kracauer e Lotte Eisner, esses filmes são agora vistos como um tipo de consciência coletiva, tão inerentemente ligados a eles em seu meio social. Brevemente mencionado por JP Telotte em sua análise do cinema alemão “Expressionismo Alemão: Um Problema Cinematográfico / Cultural”, o Expressionismo concentra-se no “poder dos espetáculos” e oferece ao público “uma espécie de imagem desconectada de sua própria situação”.

5. Expoentes do cinema alemão

Alguns dos principais cineastas dessa época foram F. W. Murnau, Erich Pommer e Fritz Lang. O movimento terminou depois que a moeda se estabilizou, tornando mais barato a compra de filmes no exterior.

6. Decadência do movimento

A UFA GmbH (uma companhia alemã de cinema e televisão) entrou em colapso financeiro e os estúdios alemães começaram a negociar com estúdios italianos que aproveitaram a sua influência no estilo de terror e filmes noir. O poderio americano na indústria cinematográfica também levaria alguns cineastas a continuar sua carreira nos EUA. O último filme da UFA foi O Anjo Azul (1930), considerado uma obra-prima do Expressionismo alemão. Ele retratava um professor atrapalhado que descobre que seus alunos estão frequentando um bordel. Porém ao sondar o local acaba se apaixonando por uma prostituta.

7. Os objetivos do Expressionismo alemão

Ele está ligado a uma série de outros movimentos contemporâneos cujos objetivos foram derrubar a sociedade tradicional. Todos esses movimentos compartilhavam do desejo de provocar mudanças na sociedade, freqüentemente com foco na superação da classe burguesa e no fortalecimento do indivíduo.

O próprio Expressionismo pelo mundo, especialmente desde que foi colocado dentro do contexto do Modernismo, ficou complicado de distinguir com exatidão e por isso tem um número grande de conexões com outros movimentos de seu tempo. Os expressionistas desde o início foram divididos em dois grupos: um que era inclinado à metafísica e outro no qual a ação política era mais presente. Esses dois agrupamentos foram difundidos o suficiente para que, com o tempo, a expressão alemã tenha sido colocada ao lado do modernismo alemão. Esta forma de Expressionismo também compartilhou idéias com o Futurismo, o Dadaísmo e outros movimentos expressionistas.

Fontes

  • https://en.wikipedia.org/wiki/German_Expressionism
  • https://lib.guides.umd.edu/c.php?g=326833&p=2194181
  • Gruber, Helmut, “The Political-Ethical Mission of German Expressionism,” The German Quarterly, 40:2 (1967), 187.
  • Klarmann, Adolf D. “Expressionism In German Literature: A Retrospect of a Half Century.” Modern Language Quarterly 26.1 (1965): 70.
  • Boorman, Helen, “Rethinking the Expressionist Era; Willhelmine Cultural Debates and Prussian Elements in German Expressionism,” Oxford Art Journal, 9:2 (1986), 3.
  • Klarmann, Adolf D. “Expressionism In German Literature: A Retrospect of a Half Century.” Modern Language Quarterly 26.1 (1965): 79.
  • Klarmann, Adolf D. “Expressionism In German Literature: A Retrospect of a Half Century.” Modern Language Quarterly 26.1 (1965): 74.
  • Donahue, Neil H., “Introduction,” A Companion to the Literature of German Expressionism, Camden House: New York, 2005, 9

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