Arte

O que é arte?

Seu significado sofreu constantes modificações ao longo da história

Por Equipe Editorial - junho 24, 2019
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Resumo

Arte é uma gama diversificada de atividades humanas na criação de artefatos visuais, auditivos ou de execução (obras de arte), expressando as ideias imaginativas, conceituais ou técnicas do autor, destinadas a serem apreciadas por sua beleza ou poder emocional.

Em geral, essas atividades estão ligadas à produção de obras, crítica artística, estudo de suas histórias e a própria disseminação estética.

Os três ramos clássicos da arte são:

  • Pintura,
  • escultura e
  • arquitetura.

Música, teatro, cinema, dança e outras artes cênicas, assim como literatura e outras mídias, como a mídia interativa, estão incluídas em uma definição mais ampla. Até o século XVII, a arte referia-se a qualquer habilidade ou domínio, e não se diferenciava do artesanato ou das ciências.

projecao

Após o século XVII, onde as considerações estéticas são primordiais, as artes plásticas são separadas e diferenciadas das habilidades adquiridas, em geral, como as artes decorativas ou aplicadas.

Embora a definição do que constitui a arte seja contestada e tenha mudado ao longo do tempo, as descrições gerais mencionam uma ideia de habilidade imaginativa ou técnica, que provém da agência humana e da criação.  Sua natureza e conceitos relacionados, como criatividade e interpretação, são explorados em um ramo da filosofia, conhecido como estética. (quer saber mais? Continue lendo)

A origem do termo “Arte”

Arte (do termo latino ars, significando técnica e/ou habilidade) pode ser entendida como a atividade humana ligada às manifestações de ordem estética ou comunicativa, realizada através de uma grande variedade de linguagens, tais como: arquitetura, desenho, escultura, pintura, escrita, música, dança, teatro e cinema, em suas variadas combinações. 

O processo criativo se dá a partir da percepção com o intuito de expressar emoções e ideias, objetivando um significado único e diferente para cada obra.

Mais sobre a definição

O principal problema na definição do que é arte é que este conceito varia com o tempo e de acordo com as várias culturas humanas. Devemos ter em mente que a própria definição de arte é uma construção cultural variável e sem significado constante.

O que determinado grupo classifica como arte não necessariamente servirá para outro (por ser externo ao meio de onde ela foi produzida.) Inclusive, até no mesmo período e numa mesma cultura pode haver múltiplas acepções do que ela seja.

As sociedades pré-industriais, em geral, não possuem ou possuíam sequer um termo para designar arte. Numa visão muito simplificada, ela está ligada principalmente a um ou mais dos seguintes aspectos:

  • A manifestação de alguma habilidade especial;
  • a criação artificial de algo pelo ser humano;
  • o desencadeamento de alguma resposta no ser humano, como o senso de prazer ou beleza;
  • a apresentação de uma certa ordem, padrão ou harmonia;
  • a transmissão de um senso de novidade e ineditismo;
  • a expressão da realidade interior do criador;
  • a comunicação de algo sob a forma de uma linguagem especial;
  • a noção de valor e importância;
  • a excitação da imaginação e a fantasia;
  • a indução ou comunicação de uma experiência-pico;
  • coisas que possuam reconhecidamente um sentido;
  • coisas que deem uma resposta a um dado problema.

Ao mesmo tempo, ainda que uma dada atividade seja considerada arte de modo geral, há muita inconsistência e subjetividade na aplicação do termo. Por exemplo, é hábito, entre os ocidentais, chamar de arte o canto operístico; mas cantar despreocupadamente enquanto trabalhamos, muitas vezes, não é tido como atividade artística.

Pode haver, assim, uma série de outros parâmetros que as culturas empregam para separar o que consideram ou não como arte.

Mesmo que se possa, em tese, estabelecer tais parâmetros gerais válidos consensualmente, a análise de cada caso pode ser extraordinariamente complexa e inconsistente.

Num contexto geográfico, se a cultura ocidental chama de arte a ópera, possivelmente uma oriental poderia considerar aquela forma de canto muito estranha.

Na perspectiva histórica, muitas vezes, um objeto considerado artístico em uma determinada época pode não o ser em outra.

História do conceito

No ocidente, um conceito geral de arte, ou seja, aquilo que teriam em comum coisas tão distintas como, por exemplo, um madrigal renascentista, uma catedral gótica, a poesia de Homero, os autos de mistério medievais, um retábulo barroco, só começou a se formar em meados do século XVIII, embora a palavra já estivesse em uso há séculos para designar qualquer habilidade especial.

Na Antiguidade clássica, onde se formou uma das principais bases da civilização ocidental, tivemos as primeiras reflexões sobre o tema, considerando arte como qualquer atividade que envolvesse uma habilidade especial: seja para construir um barco; comandar um exército; convencer o público em um discurso. Em suma, qualquer atividade que se baseasse em regras definidas e que fosse sujeita a um aprendizado e desenvolvimento técnico.

      Banksy em Paris

Em contrapartida, a poesia, por exemplo, não era tida como arte, pois, era considerada fruto de uma inspiração.

De acordo com Platão, a arte representa uma capacidade de fazer algo de modo inteligente através de um aprendizado, sendo um reflexo da potencial criador do ser humano.

Aristóteles a definiu como uma disposição de produzir coisas de forma racional.

Quintiliano a entendia como aquilo que era baseado em um método e em uma ordem.

Já Cassiodoro destacou seu aspecto produtivo e ordenado, assinalando três funções para ela: ensinar, comover e agradar ou dar prazer.

Last Judgement (O Juízo Final), de Michelangelo — a arte veiculando todo um universo simbólico, tendo um propósito educativo

Essa visão atravessou a Idade Média, mas, no Renascimento, iniciou-se uma mudança: separaram-se os ofícios produtivos e as ciências das artes propriamente ditas (incluiu-se, pela primeira vez, a poesia no domínio artístico).

A mudança foi influenciada pela tradução para o italiano da Poética de Aristóteles e pela progressiva ascensão social do artista, que buscava um afastamento dos artesãos e artífices, e uma aproximação dos intelectuais, cientistas e filósofos.

O objeto artístico passou a ser considerado tanto fonte de prazer como meio de assinalar distinções sociais de poder, riqueza e prestígio, incrementando-se o mecenato e o colecionismo.

Começaram a aparecer também diversos tratados sobre as artes, como o De picturaDe statua e De re aedificatoria, de Leon Battista Alberti, e os Comentários de Lorenzo Ghiberti. Ghiberti foi o primeiro a periodizar a história da arte, distinguindo-a em clássica, medieval e renascentista.

Diferentemente de Ghiberti, hoje, através da arqueologia, história e geografia, podemos acrescentar na periodização a arte rupestre: considerada a mais antiga forma de expressão artística humana. Originada no contexto da pré-história, os primeiros registros foram produzidos cerca de 40 mil a.C., podendo aparecer no interior de cavernas, grutas e em outras superfícies rochosas.

Veja mais sobre a extensa e curiosa arte rupestre

O Renascimento e o Maneirismo

O Renascimento e o Maneirismo assinalam o início da história moderna (final do século XV até o XVIII). Nesse contexto, a definição de beleza se relativizou, privilegiando-se a visão pessoal e imaginação do artista, em detrimento do conceito unificado e de índole científica. Também se deu valor ao fantástico e ao grotesco.

Giordano Bruno, introduziu o conceito de originalidade, pois, para ele, a arte não tem normas, não se aprende e procede da inspiração.

Arte no século XVIII

No século XVIII, começou a se consolidar a estética como um elemento-chave para a definição de arte como hoje a entendemos — a despeito da vagueza e inconsistências do conceito.

Até então, toda a arte do ocidente estava indissociavelmente ligada a uma ou mais funções definidas, ou seja, era uma atividade essencialmente utilitária, servindo para:

  • A transmissão de conhecimento;
  • estruturação e decoração de rituais e festividades; 
  • invocação / mediação de poderes espirituais ou mágicos;
  • embelezamento de edifícios, locais e cidades;
  • distinção social;
  • recordação da história e preservação de tradições;
  • educação moral, cívica, religiosa e cultural; e
  • perpetuação de valores / ideologias socialmente relevantes

Esta mudança de paradigma estava ligada às transformações culturais desencadeadas pelo cientificismo e pelo iluminismo. Estas correntes de pensamento passaram a defender a tese de que a arte não era uma ciência, não podia descrever com exatidão a realidade, portanto, não poderia ser um veículo adequado para o conhecimento verdadeiro.

Não sendo uma ciência, a arte passou para a esfera da emoção, da sensorialidade e do sentimento. A própria origem da palavra “estética” deriva de um termo grego que significa “sensação”.

Em trabalhos de Jean-Baptiste Dubos, Friedrich von Schlegel, Arthur Schopenhauer, Théophile Gautier e outros, nasceu o conceito de “arte pela arte”, onde ela teria um fim próprio, despojando-a de toda a sua antiga funcionalidade, utilidade prática e associações com a moral.

Na medida em que isso abriu um novo e rico campo filosófico, gerou dificuldades importantes: perdeu-se a capacidade de se entender a arte antiga em seu próprio contexto e criaram-se conceitos inteiramente baseados na subjetividade, tornando cada vez mais difícil encontrar-se pontos objetivos em comum que pudessem ser aplicados a qualquer tipo de arte, tanto para defini-la quanto para valorá-la ou interpretar seu significado.

Um testemunho desta tendência é a proliferação de museus no século XIX, instituições onde todas as categorias de arte são apresentadas fora de seus contextos originais.

O esteticismo foi um dos elementos teóricos básicos para a emergência do Romantismo, o qual rejeitou o utilitarismo da arte e deu um valor principal à criatividade, à intuição, à liberdade e à visão individual do artista, erigindo-o ao status de demiurgo e profeta, fomentando, com isso, o culto do gênio. Por outro lado, o esteticismo ofereceu uma alternativa para a descrição de aspectos do mundo e da vida que não estão ao alcance da ciência e da razão.

Charles Baudelaire foi um dos primeiros a analisar a relação da arte com o progresso e a era industrial, prefigurando a noção de que não existe beleza absoluta, mas que ela é relativa e mutável de acordo com os tempos e com as predisposições de cada indivíduo. Baudelaire acreditava que a arte tinha um componente eterno e imutável — sua alma —, um circunstancial e transitório — seu corpo.

Este dualismo expressava nada mais do que a dualidade inerente ao homem em seu anelo pelo ideal e seu enfrentamento da realidade concreta.

Kazimir Malevich, black-square – Quadrado negro sobre fundo branco, uma das obras paradigmáticas da escola abstrata.

Em que pese a grande influência do esteticismo, cujo corolário apareceria no início do século XX na forma do abstracionismo, uma apoteose do individualismo artístico, houve correntes que o combateram, principalmente por ser uma forma de arte (especialmente nas artes visuais) que não representa objetos próprios da nossa realidade concreta exterior. Ao invés disso, usa as relações formais entre cores, linhas e superfícies para compor a realidade da obra, de uma maneira “não representacional”.

Hippolyte Taine elaborou uma teoria de que a arte tem um fundamento sociológico, aplicando-lhe um determinismo baseado na raça, no contexto social e na época. Reivindicou, para a estética, um caráter científico, com pressupostos racionais e empíricos.

 Jean-Marie Guyau apresentou uma perspectiva evolucionista, afirmando que a arte está na vida e evolui com ela, e assim como a vida se organiza em sociedades, a arte deve ser um reflexo da sociedade que a produz. A estética sociológica teve associações com os movimentos políticos de esquerda, especialmente o socialismo utópico, defendendo, para a arte, o retorno a uma função social, contribuindo para o desenvolvimento das sociedades e da fraternidade humana, como se percebe nos trabalhos de Henri de Saint-Simon, Lev Tolstoi e Pierre Joseph Proudhon, entre outros. 

John Ruskin e William Morris denunciaram a banalização da arte causada pelo esteticismo e pela sociedade industrial, e defenderam a volta ao sistema corporativo e artesanal medieval.

A Psicologia para explicar a Arte

Na mesma época, a arte começou a ser estudada do ponto de vista psicológico e semiótico através da contribuição de Sigmund Freud. Ele declarou que a arte poderia ser uma forma de representação de desejos e de sublimação de pulsões irracionais reprimidas; que o artista era um narcisista, e que as obras podiam ser analisadas da mesma maneira que os sonhos, os símbolos e as doenças mentais. Continuou nessa linha seu discípulo Carl Jung, que introduziu o conceito de arquétipo na análise artística.

Outra novidade foi introduzida por Wilhelm Dilthey, considerando arte e vida serem uma unidade; percebeu a importância da reação do público na definição do que é um objeto artístico, o que instaurava uma espécie de anarquia do gosto, inaugurando a estética cultural. Reconheceu, também, que a época assinalava uma mudança social e uma nova interpretação da realidade.

Ao artista, caberia intensificar sua visão de mundo em uma obra coerente e significativa.

As Escolas de Arte

O Esteticismo, Romantismo e todas as transformações sociais, econômicas e culturais nas sociedades nos séculos anteriores lançaram bases para novas significações e representações artísticas no início do século XX, abrindo espaço para a formação as vanguardas europeias no período modernista.

Veja mais sobre seus principais movimentos artísticos neste contexto

Conceitos inovadores foram introduzidos pela Escola de Frankfurt, destacando-se Walter Benjamin e Theodor Adorno, estudando os efeitos da industrialização, da tecnologia e da cultura de massa sobre a arte.

Benjamin analisou a perda da aura do objeto artístico na sociedade, e Adorno refletiu que a arte não é um reflexo mecânico dos homens que a produzem, pois, ela expressa o que não existe e indica a possibilidade de transformação e transcendência.

Representante do pragmatismo, John Dewey definiu a arte como “a culminação da natureza”, defendendo que a base da estética é a experiência sensorial. A atividade artística seria uma consequência da atividade natural do ser humano, cuja forma organizativa depende dos condicionamentos ambientais em que se desenvolve. Assim, arte seria o mesmo que “expressão”, onde fins e meios se fundem em una experiência agradável.

Já Ortega y Gasset apontou o caráter elitista e a desumanização da arte de vanguarda, devido ao seu hermetismo, ao repúdio da imitação da natureza e à perda da perspectiva histórica. Na escola semiótica, Luigi Pareyson elaborou uma estética hermenêutica, onde arte é a interpretação da verdade. Para ele, a arte é “formativa”, ou seja, expressa uma forma de fazer que, ao mesmo tempo, inventa sua própria linguagem e seus meios.

Assim, a arte não seria o resultado de um projeto predeterminado, mas simplesmente encontraria o resultado no processo de fazer. Pareyson influenciou a chamada Escola de Turim, que desenvolveu o conceito ontológico de arte. Umberto Eco, seu maior expoente, afirmou que a obra de arte só existe em sua interpretação, na abertura de múltiplos significados que pode ter para o espectador.

A fonte, de Marcel Duchamp, originalmente um urinol: um exemplo da transformação do conceito de arte.

A partir da segunda metade do século XX, o assunto se tornou tão complexo, volátil e subjetivo que muitos estudiosos abandonaram de todo a ideia de que a definição do que é arte é de alguma forma possível. Temos, portanto, o início da arte contemporânea.

Novamente, transformações históricas levaram à mudança nas representações artísticas. Depois da guerra os artistas mostraram-se voltados às verdades do inconsciente e interessados pela reconstrução da sociedade, mudar os costumes e as necessidades da produção em massa. Isto revelou-se por meio das variadas linguagens e através da constante experimentação de novas técnicas

Sabia mais detalhadamente a definição, características e principais nomes da arte contemporânea no Brasil e no Mundo

A título de exemplo, citam-se algumas opiniões sobre este novo contexto artístico: Morris Weitz declarou que “o próprio caráter aventuroso e expansivo da arte, suas constantes mutações e novidades, tornam ilógico que estabeleçamos qualquer conjunto de propriedades definidas”.

Robert Rosenblum disse que “hoje em dia a ideia de definirmos arte é tão remota que não acredito que alguém teria coragem de fazê-lo”, e Wladyslaw Tatarkiewicz afirmou que “nosso século chegou à conclusão de que conseguirmos uma definição abrangente do que é arte é não apenas algo dificílimo, como impossível”.

Essas visões, porém, não impediram que outros críticos lançassem opiniões diferentes, crendo ser possível uma conceituação. Algumas delas contornaram o problema central da definição propriamente dita, e estabeleceram parâmetros externos para definir o fato artístico, recorrendo à consagração institucional, à autoridade, à resposta do público ou de pessoas consideradas peritas.

Um exemplo é a definição de George Dickie: “um objeto artístico é em primeiro lugar um artefato, e em segundo, é um conjunto de aspectos que legitimou sua proposta de merecer atenção especial de alguma pessoa ou pessoas agindo em nome de alguma instituição social”.

Às vezes, se recorre à sua localização e ao contexto cultural, como na declaração de Thomas McEvilley, dizendo que “é arte o que está num museu… Parece bem claro que hoje em dia mais ou menos qualquer coisa pode ser chamada de arte. A questão é: ela foi chamada de arte pelo ‘sistema de arte’? Em nosso século, isso é tudo o que é preciso para definir arte”. Na mesma linha de ideias, Robert Hughes disse que algo é arte “se foi criado com o fim expresso de ser considerado como tal e foi colocado em um contexto em que é visto como tal”.

SEGUNDO A DEFINIÇÃO DA ENCYCLOPÆDIA BRITANNICA, ARTE É AQUILO QUE É CRIADO DELIBERADAMENTE PELO HOMEM COMO UMA EXPRESSÃO DE HABILIDADE OU DA IMAGINAÇÃO.

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