Arte

Reflexões estimulantes no Instituto Tomie Ohtake

Por José Henrique Fabre Rolim - agosto 3, 2023
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Uma coleção de arte reflete o olhar aprimorado do colecionador visionário, sensível que se conecta com o dinamismo da arte no contexto de épocas diversas, compondo um painel elucidativo das potencialidades da criatividade. O colecionismo de arte alcança atualmente uma importância fundamental na preservação de conjuntos harmoniosos que dialoguem com a realidade humana nas suas dimensões mais profundas. A arte propicia reflexões e confrontos dos mais impactantes aos mais intimistas.

Curiosamente, o Instituto Tomie Ohtake apresenta uma mostra antológica que faz uma incursão pela arte brasileira com obras das mais representativas de grandes artistas do nosso país. A exposição A Coleção Imaginária de Paulo Kruczynski  com obras de mestres que consolidaram a produção da arte moderna e contemporânea brasileira. Reunindo mais de duzentos trabalhos abrangendo nomes consagrados como Wesley Duke Lee, Lasar Segall, Ione Saldanha, Alfredo Volpi, Vieira da Silva, Adriana Varejão, Mira Schendel, Maria Martins, José Pancetti, Lygia Clark, Ismael Nery, Frans Krajcberg, Eliseu Visconti, Anita Malfatti, Antonio Gomide, Tarsila do Amaral, Emiliano Di Cavalcanti, Cícero Dias, Victor Brecheret, Vicente do Rego Monteiro, Joaquin Torres Garcia, Candido Portinari, Djanira da Motta e Silva, Ernesto De Fiori, Oswaldo Goeldi, Carlos Prado, Flávio de Carvalho, Milton Dacosta, Maria Leontina, Antonio Bandeira, Aldo Bonadei, Rubens Gerchman, Waldemar Cordeiro, Sergio Camargo, Ivan Serpa, Luiz Sacillotto, Willys de Castro, Mauricio Nogueira Lima, Arthur Luiz Piza, Ubi Bava, Cildo Meirelles e José Leonilson proporciona ao espectador uma panorâmica da arte brasileira na sua expressividade plena passando por períodos marcantes nas trajetórias de ícones da criatividade. Percorrer os espaços do Instituto Tomie Ohtake para apreciar a mostra A Coleção Imaginária é um privilégio, as obras são provenientes de diversas coleções particulares que passaram pelas mãos do colecionador e marchand Paulo Kuczynski que traça sua vitoriosa trajetória, visionário e sensível por atuar no mercado de arte com tenacidade e competência.

Instituto Tomie Ohtake

O Instituto Tomie Ohtake, sempre se destacou por apresentar mostras de alto nível, difundindo as potencialidades da arte no sentido de acrescentar uma visão apurada de propostas inovadoras com um background estabelecido na pesquisa e nos desafios constantes. A instalação de Iole de Freitas, “Colapsada em Pé”, se encaixa no fluxo reflexivo da linguagem poética contemporânea. Na grandiosidade de uma instalação posicionada no hall de entrada do Instituto, a dança é realçada para dar ênfase ao movimento, ao espaço e a forma. As cinco décadas da carreira da artista proporcionaram uma agilidade criativa presente na concepção da monumental peça, formada por tubos metálicos e placas de policarbonato usadas anteriormente em instalações realizadas nos últimos 25 anos.

Instituto Tomie Ohtake
instalação de Iole de Freitas, “Colapsada em Pé”

A incrível instalação se ergue como um abrigo que acolhe o movimento vital da dança, o visitante se alinha no ritmo das formas e dos espaços nas suas enigmáticas confrontações.

Paralelamente, uma outra mostra atrai a atenção do espectador, focalizando a obra de Walmor Corrêa sobre pássaros, sinapses e ervas energéticas. O artista interessado pela flora e fauna amazônica desenvolve um trabalho apaixonante expondo 30 obras realizadas do ano 2000 até os nossos dias.

Instituto Tomie Ohtake
Exposição “Walmor Corrêa sobre pássaros, sinapses e ervas energéticas”

Envolto no interesse científico, Walmor incursiona por reflexões da natureza com um teor poético sutil, ciência e arte caminham em campos diversos, mas em momentos cruciais se interpenetram, moldando visões impactantes e reveladoras. A criação artística e a pesquisa científica possuem pontos em comum, algumas mensurações definem rumos que alcançam esferas inimagináveis. Na série, mapeamento cognitivo, desenhos e comentários a partir de rostos e mapas cranianos de personalidades marcantes como Mario de Andrade, Clarice Lispector, Lupicinio Rodrigues, Grande Otelo, Villa Lobos e Clementina de Jesus, o conjunto impressiona o visitante, incentivando a refletir sobre o comportamento humano numa dimensão introspectiva. As obras são impecavelmente concebidas demonstrando um requinte ao abordar aspectos complexos da ciência e da natureza com as lendas, os mitos e a tradição popular num envolvimento onírico e questionador.

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Jornalista, curador, pesquisador, artista plástico e crítico de arte, formado em Ciências Jurídicas e Sociais pela Unisantos (Universidade Católica de Santos), atuou por 15 anos no jornal A Tribuna de Santos na área das visuais, atualmente é presidente da APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes), colunista do DCI com matérias publicadas em diversos catálogos de arte e publicações como Módulo, Arte Vetrina (Turim-Itália), Arte em São Paulo, Cadernos de Crítica, Nuevas de España, Revista da APCA e Dasartes.

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