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Classicismo: conheça o movimento inspirado na arte greco-romana

Nele priorizava-se a harmonia, clareza, humanismo e racionalismo

Por Equipe Editorial - julho 3, 2019
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Contexto histórico

O Classicismo foi um movimento artístico e cultural que ocorreu na Europa dos séculos XIV ao XVI, durante o contexto do Renascimento. Devido à crise do feudalismo, advento das grandes navegações e maior desenvolvimento do cientificismo, as artes acabaram por acompanhar essas diversas transformações sociais e culturais, o que refletiu diretamente em suas produções.

Nesse movimento, tinha-se como extrema influência as artes da antiguidade clássica greco-romana, priorizando a harmonia, clareza, humanismo e racionalismo. De acordo com a periodização dos historiadores, ele marca o fim da Idade Média e início da Arte Moderna.

O Neoclassicismo também apresenta essas características listadas acima, entretanto, surge apenas no século XVIII, durante a Revolução Francesa e Iluminismo, em oposição ao exagero e fervor do Barroco. Acabou sendo utilizado como um sinônimo do Classicismo.

É importante lembrar que sempre que os artistas se referiram aos gregos e romanos, levaram consigo os problemas e ideais de seus próprios tempos, interpretando de diferentes maneiras o que a antiguidade tinha a oferecer.

David, de Michelangelo

Representação nas artes visuais ao longo do tempo

Apesar de compartilhar uma reverência aos modelos da antiguidade, o Classicismo pode variar muito em sua interpretação e aplicação conforme a escolha da categoria artística a ser retratada (pintura, arquitetura, literatura e música).

A tradição clássica não se extinguiu durante a Idade Média. Devido aos esforços dos italianos dos séculos XV e XVI para absorver o conteúdo greco-romano, o Renascimento teve na Itália como o primeiro período do Classicismo radical após a antiguidade.

O arquiteto do século XV, Leon Battista Alberti, equiparou o Classicismo a “Beleza” e definiu o termo na arquitetura como “a harmonia e concordância de todas as partes obtidas seguindo regras bem fundamentadas [baseadas no estudo de trabalhos antigos] e resultando em uma unidade tal que nada poderia ser acrescentado, retirado ou alterado, exceto para o pior”.

Palazzo Caprini (1510), de Donato Bramante

Nas artes visuais, o Classicismo da Renascença é sintetizado em obras como: David de Michelangelo, no homem vitruviano, de Leonardo Da Vinci e no Palazzo Caprini de Donato Bramante de 1510. Os artistas sembre buscavam uma proporção perfeita, simetria, valorização da figura humana, perspectiva, etc.

Homem Vitruviano
Homem Vitruviano (1590) de Leonardo da Vinci — Símbolo do antropocentrismo humanista

Os exemplos da antiguidade e da Renascença em Roma forneceram o padrão do Classicismo para os dois séculos seguintes na Itália, enquanto na França do século XVII, esses exemplos, com as teorias de Alberti, guiaram os principais artistas franceses a um classicismo purificado.

Na Inglaterra do século XVIII, o neoclassicismo na arquitetura era focado nas obras e tratados do arquiteto italiano Andrea Palladio. Ele próprio, inspirado na antiguidade romana e na Roma da Renascença, forneceu padrões de classicismo que permearam a arquitetura inglesa e americana até o começo do século XIX.

La Rotonda de Andrea Palladio
La Rotonda de Andrea Palladio
Chiswick House
Chiswick House

No início do século XX, as exigências clássicas de harmonia, proporção e congruência de partes estavam sendo aplicadas aos novos métodos para abrir espaço para muitos estilos. Os arquitetos Le Corbusier e Ludwig Mies van der Rohe exemplificaram duas maneiras diferentes de adaptar as características estilísticas clássicas aos problemas e materiais contemporâneos.

Construção projetada por Le Corbusier
Construção projetada por Le Corbusier
Farnsworth House de Ludwig Mies van der Rohe
Farnsworth House de Ludwig Mies van der Rohe

As outras artes

Por fim, os períodos do classicismo na literatura e na música geralmente coincidem com os períodos clássicos das artes visuais. Na literatura, por exemplo, o primeiro surgimento do classicismo também ocorreu durante o Renascimento, quando a prosa de Cícero foi especialmente imitada.

A França no século XVII desenvolveu um Classicismo rico e diversificado na literatura, como também nas artes visuais. Os dramaturgos Pierre Corneille e Jean Racine, com os filósofos Blaise Pascal e René Descartes, foram particularmente importantes.

Retrato de Pierre Corneille
Retrato de Pierre Corneille

Na Inglaterra, o Classicismo na literatura surgiu mais tarde que na França e atingiu seu auge nos escritos do século XVIII de John Dryden e Alexander Pope. Gotthold Ephraim Lessing, Johann Wolfgang von Goethe e Friedrich Schiller foram figuras importantes do movimento literário clássico alemão. No início do século XX, T.S. Eliot e os proponentes do New Criticism foram às vezes considerados neoclassicistas por causa de sua ênfase em forma e disciplina.

Na música, a influência clássica surgiu no final do século XVIII e foi dominado por compositores da área de língua alemã da Europa: Wolfgang Amadeus Mozart, Christoph Gluck e Beethoven.

Nessa época, a música instrumental tornou-se mais importante que a vocal pela primeira vez na história. O interesse intenso por tal música e pela forma “Clássica” regularizada levou à padronização de orquestras sinfônicas, conjuntos de câmara, pianos e várias formas de composição.

Beethoven
Beethoven

Fonte

https://www.britannica.com/art/Neoclassicism

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Maria
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Maria

Estou muito feliz em conhecer este site, onde podemos ler sobre textos tao importantes da nossa historia antiga e nova também. Parabens.