Arte

Paul Cézanne era o único mestre de Picasso, saiba o porquê

Por Paulo Varella - setembro 14, 2017
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O momento mais importante para Picasso foi na retrospectiva Paul Cézanne realizada no Salon d’Automne um ano após a morte do artista em 1906.

Embora já estivesse familiarizado com Cézanne, não foi até a retrospectiva que Picasso experimentou o impacto total de sua realização artística. Como ele disse mais tarde: “A influência de Cézanne gradualmente inundou tudo”.

Pablo Picasso considerou Cézanne como uma “mãe pairando”, Henri Matisse como “pai para todos nós”. Inevitavelmente, nossa compreensão da pintura de Cézanne foi colorida pelo cubismo e abstração, focalizando a atenção nos aspectos formais de seu trabalho. A sua redução do mundo visível em formas básicas e subjacentes, as pinceladas facetadas que parecem reconstruir a natureza através de formas puramente pictóricas, fratura e achatamento do espaço – tudo isso pode ser visto como o começo da arte moderna. No entanto, o próprio Paul Cézanne enfatizou que ele pintou da natureza de acordo com suas sensações, procurando realizar uma “harmonia paralela à natureza”.

Muitos anos depois, em uma conversa com um jornalista, Picasso falou sobre a sua visão:

“Não é o que o artista faz o que conta, mas o que ele é”.

Cezanne nunca mais me interessaria se ele tivesse vivido e pensado como Jacques-Emile Blanche, mesmo que a maça que ele pintou tivesse sido dez vezes tão bonita.

O que atrai nossa atenção é a ansiedade de Cezanne. Esta é a lição a se aprender “

A insistência de Cézanne em refazer a natureza de acordo com um sistema de formas básicas era importante para o próprio interesse de Picasso naquela época.

No trabalho de Cézanne, Picasso encontrou um modelo de como destilar o essencial da natureza para conseguir uma superfície coesa que expressasse a visão singular do artista. Começando em 1907, Picasso começou a experimentar as técnicas de Cézanne ao lado de outro artista Georges Braque.

Cézanne foi uma referência constante para os dois artistas durante esse período, que acabou resultando na invenção do cubismo em 1909.

Ao longo da evolução estilística de Picasso nas próximas sete décadas, ele continuou emprestando e reinterpretando a arte de Cézanne.

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Estudou cinema na NFTS (UK), administração na FGV e química na USP. Trabalhou com fotografia, cinema autoral e publicitário em Londres nos anos 90 e no Brasil nos anos seguintes. Sua formação lhe conferiu entre muitas qualidades, uma expertise em estética da imagem, habilidade na administração de conteúdo, pessoas e conhecimento profundo sobre materiais. Por muito tempo Paulo participou do cenário da produção artística em Londres, Paris e Hamburgo de onde veio a inspiração para iniciar o Arteref no Brasil. Paulo dirigiu 3 galerias de arte e hoje se dedica a ajudar artistas, galeristas e colecionadores a melhorarem o acesso no mercado internacional.

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