Arte

Quem foi a mulher retratada em Olympia de Manet?

Saiba o motivo do olhar direto de Olympia ter causado tanto choque e espanto quando a pintura foi exibida pela primeira vez.

Por Paulo Varella - dezembro 17, 2019
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Olympia (1863) nome dado ao quadro feito por Édouard Manet é catalogada como uma obra realista. Medindo 130,5 por 190 centímetros, ela se encontra no Museu d’Orsay em Paris. Em 1865, a obra foi escolhida para ser exposta no Salon de Paris, fato que torna a pintura imediatamente importante e aclamada.

O quadro mostra uma mulher nua (“Olympia”) deitada em uma cama, enquanto uma serva lhe traz flores. Foram escolhidas para modelar durante o processo de criação duas moças, Victorine Meurent e Laure.

O olhar direto de Olympia causou choque e espanto quando a pintura foi exibida pela primeira vez, pois um certo número de detalhes na pintura a identificavam como uma prostituta. O governo francês adquiriu a pintura em 1890 após uma subscrição pública organizada por Claude Monet.


Por que a obra se tornou tão intimidadora?

O que chocou o público contemporâneo não era a nudez de Olympia, nem a presença de sua empregada totalmente vestida, mas o seu olhar de confrontação e uma série de detalhes identificando-a como uma semi-mundana ou prostituta.  

A orquídea em seus cabelos, sua pulseira, brincos de pérola e o xaile oriental em que ela repousa, eram vistos como símbolos de riqueza e sensualidade, a fita preta em volta do pescoço, em contraste com sua carne pálida, e seu chinelo solto sublinham a atmosfera “erótica”.


 “Olympia” era um nome associado a prostitutas na década de 1860 em Paris.


Olympia de Manet, obra de 1863, foi inspirada na Vênus de Urbino de Ticiano, que por sua vez tem referência na obra Vênus Adormecida de Giorgione. Também há a referência, embora menos evidente, da obra de Goya, A Maja Nua.

Há também precedentes pictóricos que representam uma mulher nua atendida por um servo negro como Odalisca com um Escravo, de Ingres, Esther com Odalisca de Léon Benouville e Odalisque de Charles Jalabert.

Também se compara com o quadro de Ingres ‘Grande “Odalisque”, mas ao contrário de outros artistas, Manet não descreveu uma deusa ou uma odalisca, mas uma prostituta de classe alta à espera de um cliente.

Embora  a obra Almoço sobre a Relva” de Manet tenha provocado controvérsia em 1863, sua Olympia gerou protestos ainda maiores quando foi exibida no ‘Salon de Paris’ em 1865.

Manet | Almoço Sobre a Relva, 1863.
Óleo sobre tela, 214 X 270 cm. Museu do Louvre, Paris, França.

Os conservadores exigiam que a obra fosse retirada do Salon de Paris classificando-a como “imoral” e “vulgar”. O jornalista Antonin Proust comentou posteriormente que “o quadro de Olympia só não foi destruído devido às precauções tomadas pela curadoria”.

Contudo, a obra tinha seus defensores, Émile Zola logo proclamou-a a “obra-prima” de Manet, e acrescentou “Quando outros artistas corrigem a natureza pintando Vênus eles mentem. Manet perguntou a si mesmo porque deveria mentir. Por que não dizer a verdade?”


Quem era a mulher por trás das pinturas de Manet?

Durante a década de 1860, Edouard Manet se sentiu inspirado ao ver  uma mulher com um violão saindo de um café mal frequentado. Esta mulher recusou-se a posar para a pintura, então Manet empregou uma mulher chamada Victorine Meurent (1844 – 1927). Coincidentemente ela também era uma guitarrista e cantora, por isso foi bem adequada para modelar para a pintura em questão.

Meurent, com apenas 18 anos na época em que foi contratada pelo artista, se tornaria a figura central em muitas das maiores e mais famosas pinturas de Manet.


Meurent surgiu como modelo favorita de Manet durante a década de 1860 e início dos anos 1870, posando para obras como famosíssimas Olympia e Luncheon on the Grass, e também na coleção do Museu d’Orsay, Paris.

As diferenças na idade das figuras, no vestuário, na linguagem corporal e até mesmo na relação entre elas acrescentam um ar de mistério à pintura de Manet. Curioso também é o imediatismo do olhar direto de Meurant, que parece ter mudado imediatamente do olhar para o seu livro diretamente para nós, o espectador.


Este foi o último trabalho de Manet no qual Meurent aparece. Aparentemente, ela decidiu se tornar uma artista por conta própria e a estudar artes.

Mais tarde, ela seguiu uma carreira de sucesso como pintora, mas quase nenhum dos seus trabalhos existe hoje. Uma única pintura, descoberta apenas recentemente, está pendurada no Musée Municipal d’Art et d’Histoire de Colombes, na França.


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