30 Fatos curiosos sobre Salvador Dali que você precisa conhecer.

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salvador dali

Com uma carreira que durou mais de seis décadas, Salvador Dalí foi uma das figuras mais influentes da arte moderna.

Com sua morte em 1989, ele deixou um legado surpreendente que inclui não apenas suas pinturas surrealistas que trouxe fama a ele, mas também esculturas, o cinema, a fotografia e muito mais.

Uma figura excêntrica desde criança, Dalí adorava ultrapassar os limites tanto em sua vida pessoal quanto profissional.

Dali era um agitador e mestre da autopromoção.

Na lista abaixo vamos ver apenas alguns fatos interessantes sobre a vida dele, sendo que alguns deles podem surpreender você:

1 – Ele acreditava ser a reencarnação de seu irmão morto

Dalí não era o único Salvador em sua família. Não só seu pai se chamava Salvador, mas também seu irmão mais velho. O irmão de Dalí morreu com apenas nove meses, antes do nascimento do artista. Quando Dalí tinha 5 anos de idade, seus pais o levaram para o túmulo de seu irmão e lhe disseram que ele era a reencarnação de seu irmão.

Foi um conceito que o próprio Dalí acreditava, chamando seu irmão falecido de “uma primeira versão de mim mesmo, mas concebida no absoluto”. Seu irmão mais velho se tornaria proeminente no trabalho posterior de Dalí, como o de 1963: Retrato do meu irmão morto

Portrait of My Dead Brother.
Portrait of My Dead Brother.

2 – Ele foi expulso da escola de arte (duas vezes)

Provando ser um rebelde desde o começo, Dalí foi expulso da escola de arte não uma, mas duas vezes.

O talento artístico do jovem Dalí foi estimulado desde a infância, particularmente por sua mãe, que faleceu quando ele tinha apenas 16 anos de idade.

Enquanto estudava na Academia de Belas Artes de Madri, ele era conhecido por seu comportamento excêntrico e seu vestuário, que era o de um nobre britânico do século XIX.

19th-century British dandy
19th-century British dandy

Infelizmente, Dalí nunca se formou. Sua primeira expulsão aconteceu em 1923, por fazer parte em um protesto estudantil. Depois de voltar para a escola, ele enfrentou uma segunda expulsão pouco antes de seus exames finais em 1926.

Em sua autobiografia de 1942, A Vida Secreta de Salvador Dalí, o artista escreveu que ele foi expulso porque não se sentaria para os exames orais. “Sou infinitamente mais inteligente que esses três professores e, portanto, recuso-me a ser examinado por eles. Eu conheço esse assunto muito bem. ”Mas a expulsão não atrapalhou sua carreira, no mesmo ano ele viajou para Paris pela primeira vez e conheceu seu ídolo, Pablo Picasso.

Dali arrumando o bigode

3 – Ele não usava drogas

Embora a arte surrealista de Dalí e o comportamento excêntrico possam fazer com que você pense de outra forma, o artista não usava substâncias químicas para alterar seu estado. Na verdade, uma vez ele declarou: “Eu não uso drogas, sou a droga”.

Para estimular sua criatividade, no início da década de 1930, ele desenvolveu algo chamado de método crítico paranóico. Isso permitiu que ele acessasse seu subconsciente e foi uma grande contribuição para o movimento surrealista. Uma forma de manter-se em estado de sonho incluía encarar fixamente um objeto em particular até transformá-lo em outra forma, provocando uma espécie de alucinação.

4 – Os Surrealistas não gostavam muito dele

Embora Dalí seja considerado uma figura chave no movimento surrealista, o grupo não gostava em tê-lo por perto no início de sua carreira. Muitos no grupo eram comunistas e não estavam satisfeitos com as simpatias fascistas de Dalí.

O artista tinha um fascínio por Hitler que os surrealistas consideravam inquietante. Certa vez, ele disse: “Eu sempre sonhava com Hitler enquanto outros homens sonhavam com as mulheres” e chegou a incluir Hitler em sua obra de arte.

Hitler Masturbándose - 1973
Hitler Masturbándose – 1973 – O título e o conteúdo do trabalho sugerem uma espécie de auto-paródia, o que faz sentido considerando o período tardio na vida de Dali, durante o qual a pintura foi criada. Embora Dali geralmente trabalhasse com óleo, Hitler se masturbando é uma aquarela. Dada a natureza mais solta do meio, foi provavelmente executado mais rapidamente do que a maioria do trabalho de Dali.

Isso inclui a Metamorfose de 1958 do rosto de Hitler em uma paisagem ao luar com acompanhamento, onde o retrato do líder nazista é disfarçado em uma paisagem.

Mais de vinte anos antes, em 1934, André Breton convocaria uma reunião para tentar expulsar Dalí do grupo surrealista, escrevendo

“Dalí foi considerado culpado em várias ocasiões de ações contra-revolucionárias envolvendo a glorificação do fascismo hitleriano, os abaixo-assinados propõe que ele seja excluído do surrealismo como um elemento fascista e combatido por todos os meios disponíveis. ”

André Breton

É claro que Dalí continuou com suas próprias crenças, até apoiando o ditador espanhol Francisco Franco, com quem se encontrou várias vezes.

5 – George Orwell também não gostava dele

Quando o crítico e romancista inglês revisou a autobiografia de Dalí em 1944, ele não hesitou em sua avaliação do caráter desse pintor. Dalí admite uma série de atos imorais no livro sem qualquer demonstração de remorso, incluindo chutar sua irmã mais nova na cabeça e empurrar um garoto de uma ponte de 5 metros de altura quando criança. (O livro é descrito pela Fundação Dalí como “um relato cheio de verdades, meias-verdades e ‘falsidades'”, então esses eventos podem nunca ter acontecido).

George-Orwell
George Orwell

Orwell ficou horrorizado e não teve medo denuncia-lo.

“Deve-se ser capaz de manter simultaneamente em uma cabeça os dois fatos de que Dali é um bom desenhista e um ser humano repugnante”.

Orwell

Orwell, que viajou para a Espanha para lutar com os republicanos durante a Guerra Civil Espanhola, também foi repelido pela política do pintor (ou falta dela). “Quando a guerra européia se aproxima, ele só tem uma preocupação: aonde encontrar um lugar com boa comida e um lugar para ele fugir rápido se o perigo chegar muito perto”, zombou ele.

6 – Ele teve um casamento pouco convencional

Elena Ivanovna Diakonova, conhecida como Gala, era dez anos mais velha que Dalí e casada com o poeta surrealista Paul Éluard quando o conheceu em 1929.

Um caso de amor rapidamente se desenvolveu, com Gala se divorciando de Éluard – embora permanecessem próximos. O casal se casou em uma cerimônia civil em 1934, apesar do desconforto da família de Dalí em se casar com uma divorciada russa mais velha.

Dalí. Elefante
Cerimônia de entrega de uma criação de elefantes, presente da companhia aérea Air Bus, para Salvador Dalí. À direita, o artista e sua esposa, Gala. Local: Figueres.

Ela teve um papel fundamental na carreira do artista, tornando-se seu gerente de negócios e musa.

Na década de 1950, Gala esteve publicamente envolvida em casos extraconjugais, embora seja dito que Dalí encorajava isso. Em 1969, quando Dalí lhe comprou um castelo em Púbol, foi especificado que ele só poderia visitá-la se fosse convidado por escrito.

Ao longo de suas vidas, não há dúvida de que eles compartilhavam um amor intenso e cerebral. Ele escreveu:

“Eu gostaria de polir Gala para fazê-la brilhar, torná-la a mais feliz possível, cuidando dela mais do que de mim mesmo, porque sem ela, tudo terminaria.”

7 – Dali enganou Yoko Ono

Ele sempre estava pronto para uma brincadeira. Alguns até consideravam Dalí um pouco trapaceiro.

Lennon, Yoko e Dali em New York, amiga íntima e musa, lembra como ele uma vez enganou Yoko Ono, vendendo a ela uma folha fina de mato por US $ 10.000.

Lennon, Yoko e Dali em New York
Lennon, Yoko e Dali em New York

Aparentemente, Ono pediu a Dalí que lhe vendesse uma mecha do seu famoso bigode. Como ele não quis recusar o cheque, usou a sua criatividade.

Amanda Lear and Dali
Amanda Lear e Dali. Amanda Lear, é uma cantora, letrista, compositora, pintora, apresentadora de TV, atriz e escritora francesa. A real data de nascimento é incerta, sendo divulgadas três datas: 18 de novembro de 1939 ou 1946 ou 1950, em Hong Kong

“Dali achava que Yoko Ono era uma bruxa e poderia usar o bigode em um feitiço. Ele não queria enviar a ela um item pessoal, muito menos um dos seus cabelos ”, explicou Lear. “Então ele foi ao jardim para procurar uma folha seca de grama e enviou-a em uma caixa sofisticada para adicionar valor à venda.

O idiota pagou 10 mil dólares por aquilo, ria Dali falando para as pessoas.

8 – Ele desenhou o logo do Chupa Chups

salvador-dali-chupa-chups

Dalí nnca teve problemas em participar de trabalhos comerciais. Ele criou anúncios para a Gap e até apareceu em um comercial da Lanvin chocolates em 1968. Na verdade, André Breton, o pai do surrealismo, deu a ele o apelido de “Avida Dollars” ou “ansioso por dólares”. Mas uma de suas contribuições mais duradouras para design gráfico é o logotipo da Chupa Chups. Dalí projetou o logotipo da marca espanhola de pirulitos em 1969 que ainda é usado hoje.

9 – Ele trabalhou com Alfred Hitchcock

Na década de 1940, Hitchcock contratou Dalí para ajudá-lo a criar uma sequência de sonhos para Spellbound, seu thriller de 1945 estrelado por Ingrid Bergman e Gregory Peck.

“Eu queria Dalí por causa da agudeza arquitetônica de seu trabalho”, explicou Hitchcock em uma das extensas entrevistas que deu ao colega cineasta François Truffaut em 1962.

Dali e Alfred Hitchcock
Dali e Alfred Hitchcock

Hitchcock esperava que Dalí pudesse trazer algumas das imagens vívidas de seu trabalho para a sequência dos sonhos. O filme pedia, mas o diretor conseguiu um pouco mais de surrealismo do que ele esperava. Como Hitchcock disse a Truffaut, “Dalí tinha algumas idéias estranhas; ele queria que uma estátua se quebrasse como uma concha se despedaçando, com formigas se arrastando por toda parte, e por baixo, estaria Ingrid Bergman, coberta pelas formigas! Apenas não foi possível fazer aquilo.

10 – E Walt Disney

Na esteira de seu trabalho com Hitchcock, Walt Disney se aproximou de Dalí em 1945 para se juntar ao Disney Studio para trabalhar em um filme de animação chamado Destino, com uma trilha sonora do compositor mexicano Armando Dominguez.

Dalvador Dali, Disney e Gala
Dalvador Dali, Disney e Gala

Dalí havia desenhado 22 pinturas a óleo e pilhas de desenhos, e ele e o lendário designer da Disney John Hench criaram storyboards para o filme.

Mas apenas oito meses depois de terem começado, o projeto foi arquivado por razões financeiras, com apenas 15 segundos do filme completados. (Disney e Dalí permaneceram amigos apesar do problema.)

Em 1999, Roy E. Disney, sobrinho de Walt, decidiu reiniciar a produção. Os animadores do Walt Disney Studios Paris traduziram meticulosamente os storyboards originais de Dalí para criar um filme fiel à sua visão. O curta de 6 minutos foi lançado em 2003.

11 – Ele amava fazer grandes jantares

Dalí e sua esposa Gala adoravam fazer jantares elaborados. Mas, na moda de Dalí, esses não eram jantares comuns. Os hóspedes eram convidados a chegar vestidos com roupas para combinar com o tema da noite e animais selvagens vagariam livremente pela sala. Em 1973, ele até publicou um livro de culinária – Les Diners de Gala – com receitas de itens bizarros como “Costeletas de vitela recheadas com escargot” e “Caramelo com pinhas”.

No link abaixo você pode ver o livro de receitas de Salvador Dali.

12 – Ele pagou uma conta de restaurante com um rabisco

Econômico e inteligente, Dalí encontrou uma maneira inovadora de pagar por uma refeição. Dizem que quando ele jantava com um grande grupo de amigos, ele se oferecia para pagar a conta. Ele então pagou com um cheque, mas incluía um desenho nas costas, sabendo que o cheque nunca seria descontado, já que o rabisco que ele deixara era infinitamente mais valioso.

13 – Ele foi um fashion designer informal

Dalí amava moda. Ele trabalhou em colaboração com a designer italiana Elsa Schiaparelli, que criou projetos baseados em suas obras de arte. Em particular, seu Aphrodisiac Lobster Telephone foi uma inspiração, e eles trabalharam em um vestido de lagosta para Wallis Simpson, Duquesa de Windsor, na década de 1930.

dali vestido de lagosta

Ele também criou um chapéu em forma de sapato, um cinto com lábios como uma fivela, frascos de perfume e inúmeros desenhos têxteis. Em 1950, ele colaborou com o amigo próximo Christian Dior em um projeto sobre moda inspirado no futuro. A contribuição de Dalí foi “Um vestido para 2045”.

Elsa Schiaparelli
Elsa Schiaparelli

14 – Ele criou capas para a Vogue

Quando pensamos em capas Vogue, fotografias de supermodelos vêm à mente. Mas Dalí criou quatro capas para a lendária revista de moda. Em sua primeira capa de dezembro de 1938, ele mostra duas mulheres. A mulher em primeiro plano tem uma cabeça formada por flores, enquanto a mulher ao fundo tem galhos saindo de sua cabeça.

Primeira capa para a Vogue de dali
Primeira capa para a Vogue

Seu projeto de abril de 1944 o vê incorporar a palavra Vogue em sua obra de arte. Para a edição de dezembro de 1971, ele não apenas projetou a capa, mas também agiu como editor.

Veja os outros trabalhos de Dali para revistas neste link.

15 – Ele desenhou jóias, incluindo um coração que batia

O coração real é uma obra-prima deslumbrante feita de ouro 18k e coberto com 46 rubis, 42 diamantes, duas esmeraldas e outras pedras preciosas. E essa não é a parte mais impressionante. Um mecanismo interno faz o Coração Real bater como se fosse um coração humano vivo.

O coração real é a peça central da coleção Dalí-Joies, agora localizada no Museu Dalí, em Figueres, na Espanha.

A coleção começou em 1941, quando o milionário norte-americano Cummins Catherwood adquiriu 22 peças do artista. Ele projetou as jóias no papel e supervisionou de perto o ourives argentino Carlos Alemany, que executou o trabalho. Dalí continuou a adicionar à coleção, que passou pelas mãos de muitos, incluindo um milionário saudita e vários colecionadores japoneses. Em 1999, a Fundação Salvador Dalí comprou todas as 41 jóias, assim como desenhos e pinturas de Dalí, por 5,5 milhões de euros (quase 7 milhões de dólares).

16 – Ele criou um holograma com Alice Cooper

Embora eles possam parecer uma dupla improvável, Salvador Dalí e o músico Alice Cooper tinham uma admiração mútua um pelo outro.

Cooper, que foi um estudante de arte no ensino médio, modelou seus primeiros inspirados pelo pintor surrealista. Quando Dalí descobriu isso, ficou impressionado.

“A equipe de Dalí ligou para o meu gerente e explicou que ele tinha visto um dos meus shows”. “Ele disse que era como ver uma de suas pinturas ganharem vida e que ele queria que trabalhássemos juntos.”

Cooper tinha apenas 25 anos quando ele e Dalí se conheceram em 1973. O pintor de 69 anos chegou com uma comitiva elaborada e sugeriu que ele criasse o primeiro holograma vivo do mundo – usando Cooper como modelo. Ele não apenas criou o primeiro retrato cilíndrico de cromo-holograma do cérebro de Alice Cooper, mas também apresentou ao cantor uma escultura intitulada The Alice Brain. A escultura de cerâmica de um cérebro tinha uma bomba de chocolate escorrendo e formigas que soletravam as palavras “Alice” e “Dalí”.

O encontro de Cooper e Dalí continua sendo uma das grandes colaborações entre artistas e músicos da história.

17 – Ele ilustrou uma cópia do livro Alice no país das maravilhas

SAlvador Dali e Alice no país das maravilhas
Salvador Dali e Alice no país das maravilhas

Não há melhor imagem surreal para Dalí do que a igualmente bizarra história de Alice no País das Maravilhas. Em 1969, a Random House pediu ao artista para ilustrar uma edição limitada do clássico de Lewis Carroll e os resultados foram tão bons quanto você pode imaginar. Apenas 2.700 cópias foram criadas, mas felizmente uma nova reedição garantiu que o trabalho continua-se vivo. Dalí criou 13 imaens para o livro, um para cada capítulo e a capa. O trabalho está repleto de toques assinados por Dalí – o icônico relógio do The Persistence of Memory encontra uma bela casa no centro do chá do Chapeleiro Maluco.

18 – Ele amava couve-flor

Em 1955, Dalí chegou à Sorbonne, em Paris, para uma palestra em um Rolls-Royce repleto do que a revista Time chamou de “uma exótica profusão de couve-flores frescos” . Ele explicou para uma platéia de 2000 pessoas que “Tudo acaba na couve-flor!” O pintor disse ao jornalista Mike Wallace em uma entrevista quase absurda em 1958 que o objetivo da ação era de que ele havia descoberto “a curva logarítmica da couve-flor”.

19 – Ele era obcecado por Sigmund Freud

O movimento surrealista foi fortemente influenciado por Sigmund Freud, cuja obra estava apenas começando a ser traduzida para o francês pela primeira vez quando o movimento surgiu em Paris, em 1924.

Dalí começou a ler Freud quando era jovem na escola de arte em Madri. As idéias sobre sonhos e o subconsciente tiveram um impacto profundo em seu trabalho.

“O livro se apresentou para mim como uma das descobertas capitais da minha vida”,

Dali sobre a leitura de A interpretação dos sonhos, de Freud.

Aadmiraçnao não era exatamente mútua no começo. Freud considerava os surrealistas “completos tolos” e tinha pouco interesse na arte de vanguarda. Mas Dalí estava determinado a encontrar Freud.

“Minhas três viagens a Viena eram exatamente como três gotas de água que não tinham reflexos para fazê-las brilhar” escreveu em sua autobiografia: “Em cada uma dessas viagens fiz exatamente as mesmas coisas: de manhã fui ver o Vermeer na Coleção Czernin e à tarde não fui visitar Freud porque, invariavelmente, soube que ele estava fora.

Por fim, Dalí marcou uma entrevista para se encontrar com Freud, de 82 anos, em Londres, no verão de 1938. Dalí conta que “nós falávamos pouco, mas nós devoramos uns aos outros com os nossos olhos. ”Isso pode ter sido menos romântico do que Dalí escreveu: Freud tinha câncer de boca e isto dificultava sua fala.

Metamorphosis of Narcissus 1937 by Salvador Dal? 1904-1989
Metamorphosis of Narcissus (1937) é uma pintura a óleo sobre tela do surrealista espanhol Salvador Dalí. Esta pintura é do período crítico-paranóico de Dalí. Segundo a mitologia grega, Narciso se apaixonou por seu próprio reflexo em uma piscina. Incapaz de abraçar a imagem aquosa, ele se afastou e os deuses o imortalizaram como uma flor. Dalí completou esta pintura em 1937 em seu tão esperado retorno a Paris após ter tido grande sucesso nos Estados Unidos.

No entanto, Dalí mostrou a Freud sua pintura Metamorphosis of Narcissus, a primeira pintura que ele fez inteiramente usando seu método crítico paranóico, bem como um artigo que escreveu sobre paranoia. Mais tarde, o psicanalista escreveu a Stefan Zweig, que organizou a reunião, dizendo que Dalí era um “mestre técnico indubitavelmente perfeito” que o forçou a reconsiderar sua opinião sobre os surrealistas.

20 – Ele apareceu em um programa de auditório

Dalí foi convidado para vários shows durante a sua vida. Em 1957, ele fez uma aparição no programa What’s My Line, servindo como um convidado oculto cuja carreira um painel de convidados vendados tinha que identificar. Apesar dos melhores esforços do anfitrião John Daly para controlar o artista, ele provou ser um osso duro de roer, já que ele tentou responder “sim” a todas as perguntas, incluindo “Você tem alguma coisa a ver com esportes, ou qualquer forma de atletismo? Em última análise, ele foi identificado por uma pergunta final sobre se ele tinha ou não um bigode “bastante conhecido”. Veja abaixo o vídeo:

21 – Ele e Marcel Proust gostavam dos mesmos produtos de cabelo.

Os bigodes que desafiam a gravidade de Dalí se tornaram assunto de conversa quando o artista apareceu em um episódio de 1954 de “The Name’s the Same”. Ele explicou que seu bigode teve alguma influência literária. “É um bigode húngaro comum. O Sr. Marcel Proust usou o mesmo tipo de pomada para o seu bigode. “Quanto à física da coisa, tudo estava na pomada”, disse ele, recusando-se a discutir exatamente como conseguiu que seu bigode crescesse a um tamanho tão insano.

22 – Seu bigode tem o seu próprio livro

Em 1954, Dalí publicou um livro com o fotógrafo Philippe Halsman inteiramente dedicado ao bigode, apresentando 28 imagens do bigode icônico.

Dali e seu bigode

Halsman e Dalí se conheceram em 1941 e colaboraram por décadas, criando o que ainda são alguns dos retratos mais reconhecidos do artista, incluindo Dalí Atomicus, apresentando o artista suspenso no ar junto com vários gatos, um cavalete, um balde de água e um cadeira.

Cada página do Bigode de Dali: Como uma entrevista fotográfica apresenta uma pequena pergunta de Halsman, com as respostas de Dalí impressas na próxima página, abaixo da fotografia. Os resultados são, como seria de esperar, muitas vezes absurdos. As fotografias mostravam Dalí com um bigode torcido em um símbolo do infinito, vestido como a Mona Lisa, e usando seu pelo facial como um pincel, para citar alguns exemplos.

Dali com bigode infinito
Dali com bigode infinito

23 – Seu bigode permanece intacto até hoje

Em julho de 2017, o corpo de Dalí foi exumado como parte de um processo de paternidade trazido por uma mulher que alegava ser sua filha. A exumação provou que a mulher estava errada, mas produziu uma descoberta inesperada: seu bigode continua intácto. De acordo com os especialistas forenses que viram o corpo, sua marca registrada “stache” permaneceu intacta desde a sua morte em 1989. “O bigode preservou sua clássica posição entre 10 para as 10”, disse Lluís Peñuelas, da Fundação Gala-Salvador Dalí, ao jornal espanhol El País. O médico que embalsamou Dalí em 1989 o classificou como “um milagre”.

24 – Ele fez uma pintura em um presídio

Em 1965, Dalí estava programado para fazer uma visita à prisão na Ilha Rikers para dar uma aula de arte aos presidiários. Mas no dia em que a aula deveria acontecer, uma doença o confinou em seu quarto de hotel em Nova York, e ele cancelou.

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Vista aéra da prisão

Em vez disso, ele fez uma pintura para os prisioneiros, uma visão surrealista da crucificação de Jesus.

A pintura, desconhecida no mundo exterior, estava pendurada na prisão até a década de 1980, quando foi guardada, e depois fixada perto da entrada da prisão, onde os detentos não conseguiam acessá-la. Em 2003, um grupo de agentes da prisão a roubou, substituindo-a por uma imitação barata. Os oficiais foram processados, mas a pintura nunca foi recuperada. Um dos ladrões culpou o vice-diretor chamado Benny Nuzzo, dizendo que Nuzzo entrou em pânico e destruiu a pintura depois que eles cometeram o crime.

Nico Yperifanos, Salvador Dali's personal representative, pr
UNITED STATES – FEBRUARY 26: Nico Yperifanos, Salvador Dali’s personal representative, presents artist’s ‘Christ on the Cross” to Rikers Island prison. Correction Commissiojner Anna Kross accepts the work. (Photo by Leonard Detrick/NY Daily News Archive via Getty Images)

25 – Ele quase se asfixiou em uma vernissage

Em 1936, Dalí colocou um traje de mergulho profundo antes da Exposição Internacional de Surrealismo, uma grande mostra de arte em Londres, onde seu trabalho seria exibido juntamente com outros artistas modernos renomados como Pablo Picasso, Man Ray, Joan Miró e Rene Magritte e Marcel Duchamp.

Dalí planejava dar uma palestra no traje de mergulho enquanto segurava taco de bilhar e dois galgos na coleira.

Ninguém podia ouvir sua palestra, chamada “Alguns Fantasmas Paranoicos Autênticos”, através do traje – no qual um técnico o havia colocado antes da palestra. Alguns minutos depois de iniciada a palestra ele começou a sufocar. Ele tentou fingir que precisava de ajuda para remover o capacete, mas o público levou aquilo como parte de sua performance e riu.

Como Merli Secrest, biógrafo, conta em seu livro Salvador Dali: The Jester Surrealist, “Quanto mais ele gesticulava, mais riam e levou algum tempo, durante o qual Dali achava que iria desmaiar. “Percebemos que ele estava angustiado”, e Gascoyne tirou capacete com uma chave inglesa. (Como acontece com grande parte da vida do artista, há um pouco de debate sobre os detalhes exatos do incidente – o próprio Dalí disse que Gala e o poeta Edward James o salvaram com um martelo, deixando de mencionar Gascoyne.)

Dali e sua roupa de mergulho usada na palestra
Dali e sua roupa de mergulho usada na palestra

Sendo uma exibição cheia de surrealistas, a proeza de Dalí não foi o comportamento mais estranho naquele dia. A pintora Sheila Legge chegou à abertura do show carregando uma costeleta de porco que rapidamente estragou no calor de junho.

26 – Ele foi copiado por um personagem de Vila Sésamo

Instantaneamente reconhecível pelo seu bigode característico, Dalí inspirou um fantoche bigodudo da Vila Sésamo conhecido como Salvador Dada. Os Muppets trabalharão em várias paródias de Dalí ao longo dos anos, incluindo um especial de 2015 chamado The Cookie Thief, no qual alguns dos Muppets vêem uma pintura chamada The Persistence of Cookies no Museum of Modern Cookie.

27 – Cadaques foi uma das suas maiores fontes de inspiração

Algumas das pinturas de Salvador Dali são baseadas na costa da cidade de Cadaqués, no nordeste da Espanha. O céu, o mar, as rochas de Cadaques eram muito queridos para Dali, porque é onde ele costumava passar o tempo durante as férias com sua família. Se você der uma olhada nas pinturas de Dali e depois visitar Cadaques, você definitivamente se sentirá como se estivesse em uma de suas pinturas.

Cadaques
Cadaques

Por exemplo, na famosa pintura de 1931, The Persistence of Memory, pode-se reconhecer as paisagens de Cadaqués. Então, a pintura The Great Masturbator também foi baseada na costa rochosa de Cadaqués. Ele olhou para o ambiente e imaginou formas possíveis.

The Persistence of Memory
The Persistence of Memory

28 – Ele estrelou alguns comerciais para a TV

Dali gostava da atenção do público. Durante sua carreira, ele chegou a estrelar alguns anúncios. Ele estrelou em anúncios de Alka-Seltzer e Lanvin!

29 – Ele dirigiu um filme

Em 1929, Salvador Dali dirigiu um filme, o “Chien Andalou”. Ele imaginou um cenário potencial para uma pintura e retrabalhou-a em um filme. Alguns elementos horríveis com um humor absurdo foram combinados para a realização deste curta-metragem, feito por Dali e seu amigo Luís Buñuel. Esta produção foi muito importante para a história do surrealismo e do cinema!

30 – Seu último projeto foi um monumento

Na Espanha, ele trabalhou em um último projeto que foi uma espécie de monumento ao surrealismo, ao Teatro Dalí e ao Museu. Está localizado na cidade de Figueres, na Espanha. Se você visitar este lugar, vai se sentir como se estivesse na mente de Dali. Ele morreu em janeiro de 1989 e foi enterrado no centro deste museu.

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Estudou cinema na NTFS (UK), Administração na FGV e Química na USP. Trabalhou com fotografia, cinema autoral e publicitário em Londres nos anos 90 e no Brasil nos anos seguintes. Sua formação lhe conferiu entre muitas qualidades, uma expertise em estética da imagem, habilidade na administração de conteúdo e pessoas e conhecimento profundo sobre materiais. Por muito tempo Paulo participou do cenário da produção artística em Londres, Paris e Hamburgo de onde veio a inspiração para iniciar o Arteref no Brasil. Paulo dirigiu 3 galerias de arte e hoje se dedica em ajudar artistas, galeristas e colecionadores a terem um aspecto mais profissional dentro do mercado de arte internacional.

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